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Proibição de automóveis anteriores a 2000 em Lisboa faz disparar vendas

O início das novas regras de circulação de automóveis em Lisboa fez disparar a pesquisa na Internet de carros superiores ao ano 2000.

Também a inserção de anúncios de venda de automóveis anteriores a esse ano aumentou, de acordo com os dados divulgados Standvirtual. Este portal indica que o número de colocação de anúncios de automóveis de carros datados até ao ano 2000 registou um aumento de 50% nos primeiros 20 dias de janeiro, comparativamente ao mesmo período do mês de dezembro. Durante este período foram colocados à venda mais de 4139 veículos anteriores ao ano 2000. Quando comparado ao mesmo período do ano passado este crescimento de colocação de anúncios de automóveis à venda registou um crescimento superior a 1100% (em janeiro de 2014 foram apenas colocados à venda 375 automóveis com data anterior ao ano 2000).
“Os lisboetas, mas especialmente os condutores que moram fora de Lisboa e que se deslocam com frequência à capital, têm vindo a reagir nos últimos meses às novas regras de circulação automóvel para carros anteriores a 2000. Mas com o início das novas regras já antecipávamos um aumento substancial da troca de carro, verificada agora com estes dados. A procura de carros mais recentes deverá continuar e superiores ao ano 2000 deverá manter-se nos próximos dias”, refere Daniela Oliveira, site manager do Standvirtual.
Procura de carros mais recentes também aumenta
Em dezembro passado, o Standvirtual já tinha registado um aumento de 6% na pesquisa de automóveis com data posterior a 2000, comparativamente com o mês anterior. Em janeiro deste ano, a procura por estes automóveis voltou a aumentar cerca de 11% face a dezembro. Contudo, no dia 15 de janeiro, data em que entraram em vigor as novas regras de circulação automóvel, esta mesma pesquisa disparou substancialmente, potenciando um aumento de 46% de pesquisas face à média diária já verificada em todo o mês de janeiro.

 

Preços poderão ser inflacionados

 

O Stand Virtual admite que estas mudanças no tipo de procura (para viaturas de 2000 e anos posteriores) e aumento dos veículos anunciados (anteriores a 2000) poderá ter influência nos preços por que as viaturas são anunciadas e comercializadas. Porém, o portal ainda não tem dados concretos. “É provável que haja essa pressão nos preços, mas não conseguimos ter dados fiáveis, pois esses anúncios foram novos que entraram em janeiro. Mesmo considerando que possam estar alguns desde dezembro, não conseguimos ver isso em bloco, nem tirar conclusões pois os valores médios de cada depende do modelo e da marca”, disse à “Vida Económica” fonte da empresa.

 

ARAN critica “timing”

 

A Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN) discorda das restrições impostas pela Câmara Municipal de Lisboa à circulação de viaturas com matrícula anterior a 2000 no centro da cidade. “Os vereadores da CML, se fossem portugueses comuns, diriam que há carros anteriores a 2000 em bom estado de circulação”, disse à “Vida Económica” o presidente da associação, António Teixeira Lopes. A ARAN já enviou, de resto, uma carta à CML, devido à atividade de reboques, cujas empresas estão entre o leque de associados da associação.
Teixeira Lopes concorda que tecnologia evoluiu e que as viaturas mais recentes poluem menos. “Contudo, não é altura ideal, porque as pessoas não têm dinheiro”, refere. “Em contrapartida, ao lado estão autocarros antigos que poluem muito mais. Esta medida não é oportuna. Claro que temos de ter preocupações ambientais e nós na ARAN somos favoráveis a isso. Mas o momento não é oportuno. Não estamos em condições económica para esta decisão”, acrescenta.

Diminuição de comboios para Cascais revela falta de concertação

Mais ou menos na mesma altura em que a CML restringiu a circulação de automóveis anteriores a 2000 no centro da capital, a CP reduziu a oferta de serviços na linha de Cascais. Segundo fonte oficial da CP, a frequência de 20 minutos mantém-se o número total de circulações num dia útil passou de 251 para 200 (menos 25 para o Cais do Sodré menos 26 para Cascais). Contudo, Entre as 10h00 e as 17h00, acabaram serviços rápidos, o que significa que os comboios param em todas as estações entre Cascais e Lisboa.
O presidente da ARAN lamenta a falta de política global para a mobilidade. “Infelizmente, não há uma política integrada. Está cada um para seu lado”, lamenta António Teixeira Lopes.

 

ACP fala em “exclusão social”

 

Ainda antes de dia 15 de janeiro dia em que a autarquia lisboeta implementou as novas regras viárias, o presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP), Carlos Barbosa tinha considerado a medida avulsa e de “exclusão social”. De acordo com aquele responsável, “só os ricos podem andar em Lisboa” e “os pobres, que não têm dinheiro para trocar de carro, não podem”.
Segundo Carlos Barbosa, a medida não irá fazer com que se assista a uma “melhoria da qualidade do ar” em Lisboa. O presidente do ACP considera que esse problema pode ser resolvido com a criação de parques de estacionamento à entrada da cidade e com melhores transportes públicos.

 

Que viaturas podem circular?

 

Os automóveis com matrículas anteriores a 2000 e a 1996 passaram, no dia 15 de janeiro, a estar proibidos de circular, entre as entre as 7h e as 21h dos dias úteis, na baixa da cidade de Lisboa e na zona ribeirinha, devido à emissão de poluentes, segundo a autarquia.
As restrições de circulação para os carros com matrículas anteriores a 2000 dizem respeito à zona 1, que vai do eixo da avenida da Liberdade à Baixa (limitada a norte pela Rua Alexandre Herculano, a sul pela Praça do Comércio e abrangendo a zona entre o Cais do Sodré e o Campo das Cebolas). No que se refere aos automóveis matriculados antes de 1996 não podem circular na zona 2 (nos limites Avenida de Ceuta, Eixo Norte-Sul, avenidas das Forças Armadas, dos Estados Unidos da América, Marechal António Spínola, do Santo Condestável e Infante D. Henrique).
Os automóveis com dístico de estacionamento de residente das zonas 5 (Avenida da Liberdade), 12 (Chiado) e 13 (Baixa) poderão circular na zona 1 e os automóveis pertencentes a residentes em Lisboa poderão circular na zona 2.
Outras exceções às restrições no centro da capital incluem veículos de emergência, de pessoas com mobilidade condicionada, históricos (que estejam certificados pelas entidades oficiais), movidos a gás natural e GPL, de polícia, militares, de transporte de presos, blindados de transporte de valores e motociclos. Além disso, os táxis terão um período de exceção até e 30 de junho. Depois de 1 de julho, somente os táxis com matrículas posteriores a julho de 1992 poderão circular nas zonas 1 e 2.

 

Aquiles Pinto
aquilespinto@vidaeconomica.pt